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Quem chora pelo bebê indígena assassinado em SC? Ou a nossa vergonhosa comoção seletiva

Vemos no jornalismo brasileiro inúmeras notícias que muitas vezes não chegam para toda a população, e quando observamos o conteúdo destes fatos o pensamento de descaso frente à vida chega a ser repugnante. Infelizmente temos de noticiar aqueles fatos negativos para instruir a população do que está acontecendo. Alguns membros da sociedade são deixados de [...]

Vemos no jornalismo brasileiro inúmeras notícias que muitas vezes não chegam para toda a população, e quando observamos o conteúdo destes fatos o pensamento de descaso frente à vida chega a ser repugnante. Infelizmente temos de noticiar aqueles fatos negativos para instruir a população do que está acontecendo. Alguns membros da sociedade são deixados de lado, ou em outros casos, são colocados em uma categoria diferente do coletivo. Exemplo são os indígenas, que possuem números elevados de suicídios mas mesmo assim o jornalismo teima em informar. Lembrando aos leigos que, suicídio é o tema mais sensível a ser falado, tendo de seguir até mesmo toda uma cartilha por envolver muitos princípios, mas quando se trata dos indígenas parece que esta sensibilidade tão importante que aprende-se na academia é deixada de lado. O que tem de diverso no suicídio de um índio com relação as demais pessoas?

Um caso recente mostra um fato de grande importância e que não chegou para todos e que agora vamos falar aqui é sobre um cruel assassinato de um indígena de dois anos de idade em Imbituba, Santa Catarina. O bebê estava sendo amamentado pela sua mãe, Sônia da Silvia, quando um homem se aproximou, acariciou seu rosto e, com um estilete, o degolou. Enquanto a mãe e o pai, desesperados tentavam socorrer a criança, o assassino seguiu tranquilamente pela rodoviária, onde aconteceu tal fato, até desaparecer.

A família pertence a tribo Kaingang que estão presentes nos estados do PR, RS, SC e SP. Segundo a Funasa, em 2009, o Brasil apresentava uma população de mais de 33 mil Kaingangs.

A família estava na rodoviária porque achava ali um local seguro. As rodoviárias são espaços frequentemente escolhidos pelos Kaingang para descansar, quando estes se deslocam das aldeias para buscar locais de comercialização de seus produtos.

Tal ato que temos a infelicidade de ler, se trata de um crime brutal, um ato covarde, praticado contra uma criança indefesa, que denota a desumanidade e o ódio contra outro ser humano. Um tipo de crime que se sustenta no desejo de banir e exterminar os povos indígenas.

A Polícia Militar da região deu por desvendado o fato em poucos minutos. Prendeu, num bairro pobre, um presidiário, que usufruía do benefício do indulto de Natal e Ano Novo. Aparentemente tudo estava solucionado. Mas na delegacia da Polícia Civil de Imbituba o delegado ouviu o pai e a mãe de Vítor, e ainda outra testemunha, um taxista que estava no local na hora do crime. O homem indicado pela Polícia Militar como autor do assassinato não foi reconhecido pelas três testemunhas.

Informações colhidas na delegacia por um advogado que acompanhou a família Kaingang dão conta de que esse cruel assassinato pode estar relacionado a ações de grupos neonazistas ou de outras correntes segregacionistas, que difundem o ódio e protagonizam a violência contra índios, negros, pobres, homossexuais e mulheres.

Já temos

Porém devemos pensar: Quantos crimes contra outros grupos como os indígenas acontecem e nós não ficamos sabendo? Porque não é noticiado? Devemos repensar as nossas fontes de notícia. Hoje aquele que fica somente na frente da TV e que lê jornais da sua cidade vez ou outra está alienado e muito bem manipulado para uma falsa realidade. Agora com as mídias digitais precisamos, mais do que nunca, se informar e saber os desdobramentos de tais acontecimentos e também fazer o possível para inserir cada vez mais todos na sociedade. Afinal, todos fazem parte do contexto e precisam receber tratamento igualitário, mas infelizmente os índios, por exemplo, mostram que esta não é uma realidade. Se isso tivesse ocorrido com um branco seria noticiado? Sim ou com certeza?

Artigo escrito por Vinícius Nunes
Com informações do Conselho Indigenista Missionários

 

Escrito por

Jornalista Brasileira. Produtora de conteúdo. pura canceriana. descobrindo maneiras de agradecer, sempre. respirando fundo, de vez em quando. a louca da poesia, dos contos e das letras de músicas. Journalist brazilian w/ italian citizenship - cargocollective.com/giuliasimcsik

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