Conecte com a gente

COLUNISTAS

Adágio

Eu não sei muito bem o que fazer em dias tristes. Normalmente ficaria colada no drama, buscando sair o mais rápido possível desse movimento. Ontem foi diferente. Acordei cedinho, café da manhã saudável numa padaria legal. No mais puro estilo “esse dia não vai me pegar”, fui a pé para academia, passo a passo, devagarinho, sentindo a brisa, respirando… aqui, agora…e tudo o mais que conheço quando o assunto é recomeçar.

No atalho do caminho, uma velha amiga. Papo vai, papo vem, com olhar de baixo para cima como quem disfarça, me avisa que minha calça está do avesso. Delicadamente minha mão desliza nas costas e ela está lá! Imensa, exposta e toda para o lado de fora, as etiquetas. Putz! Além de triste, agora ia seguir com vergonha? Nada disso. Continuei no propósito sem dramas, culpando a fábrica de roupas, afinal para que servem esses pedacinhos de pano, todo escrito, por dentro de mim e que ninguém nunca vai ler?

Almoço no shopping, fui dar uma lavada nas mãos num movimento todo automático, rápido e de qualquer jeito. Incomodada com isso, acionei o modo “posso fazer melhor”. Voltei e refiz a cena. Coloquei sabão devagar, sentindo a textura da água, quase em slow motion. Hora boa para pensar que a tristeza quer a pressa e não deve gostar nada de movimentos lentos.

Na saída do banheiro, outro encontro, outra amiga e outra pausa no tempo. Que bom ver você! Com olhar minucioso que só parou na minha camiseta, avisou: – menina, olha isso, você está cheia de sabão! Hiato no ar. Oi? Além disso tudo, mais isso? De novo não me vi? Isso que está em mim deve fazer mal para os olhos. Só pode ser.

Já no meu sofá, tomando uma xícara de chá com leite, percebi que ontem a tristeza me levou para passear e eu não estava lá. 

Notícias em seu email?

Coloque aqui seu melhor e-mail que enviaremos "Blink News" para você semanalmente!

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

2 Comentários

2 Comments

  1. sandra

    31/05/2019 em 15:36

    mais um belo texto….vai ser muito bom ve-los reunidos em um livro…..

  2. Cristina Furst

    02/06/2019 em 14:53

    Muito bom! Quem não teve um dia assim??

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RECOMENDADOS PARA VOCÊ:

Notícias em seu email?

Coloque aqui seu melhor e-mail que enviaremos "Blink News" para você semanalmente!

WhatsApp chat