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AMOR PLATÔNICO

Amor Platônico

Sabe aquele crush pelo qual você nutre um amor imenso, mas que não te dá bola? Aquele amor que você sente, mas que não é correspondido?

Hoje (19), no Café com Blink o bate papo foi com a Psicóloga Daniele Xavier é graduada e licenciada em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados. Pedagoga pela Universidade Estácio de Sá. Especialista em Educação Intercultural Indígena, especialista em Gestão em Saúde Pública; especialista em Linguagem Questões Etnorraciais e de Gênero. Possui curso de formação em Culturas e Histórias dos Povos Indígenas. Pós-graduação em Psicologia, nutrição e transtornos alimentares e pós-graduação clínica psicanalítica de Freud a Lacan.

Definição superficial de AMOR PLATÔNICO;

Se procurarmos em qualquer lugar o que é amor platônico, a resposta vai ser algo como “um amor não correspondido.” E, de modo geral, é isso mesmo, mas não só.

Entendendo o amor platônico em profundidade;

Uma primeira definição mais detalhada diz que o amor platônico é qualquer tipo de relação afetuosa ou idealizada em que se abstrai o elemento sexual por vários gêneros diferentes. Ou seja, trata-se de um caso de amizade pura. Contudo, também pode ser definido como um amor impossível, difícil ou que não é correspondido, como comentamos mais acima.

Cronologia do amor platônico;

O primeiro uso do amor “platonicus” foi feito pelo filósofo neoplatônico florentino Marsilio Ficino no século XV. Naquele caso, o uso atribuído foi como um sinônimo de amor socrático. Assim, as duas expressões dizem respeito a um amor focado na beleza do caráter e na inteligência de alguém. Ou seja, o sentimento não imergia do aspeto físico.

Porém, com o tempo, a expressão teve seu conceito mudado. Um exemplo foi a alteração que o termo sofreu graças à obra de Sr. William Davenant, “Platonic Lovers” (Amantes Platônicos – 1636). Nessa obra, o poeta inglês se refere ao amor como é retratado no Simpósio de Platão. Ou seja, afirma que o amor é a raiz de todas as virtudes e da verdade.

Nos vale dizer ainda que o amor platônico é entendido como um amor à distância, que não se aproxima. Dessa forma, esse amor não toca, não se envolve e é feito de fantasias e idealizações. O objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.

O Amor Platônico na visão de Freud;

Agora vamos comentar a perspectiva de Freud a respeito do amor platônico.

Segundo a teoria freudiana, o corpo precisa de algo externo a ele para continuar vivo. Dessa forma, ele é impelido a agir para obter o objeto que satisfaz a falta que sente. Essa busca é chamada de pulsão.

O problema da pulsão;

Como dissemos, pulsão é o ímpeto de buscar o que nos falta. Porém, o problema é que no regime pulsional não há como preencher as faltas de maneira satisfatória. Sendo assim, é iniciado um circuito pulsional. Isso acontece, pois sem o encontro satisfatório com o objeto idealizado, o indivíduo permanece com uma carga tensional. Contudo, essa carga retorna a um estado primário em espera de uma nova investida.

O desejo e a libido;

Como dissemos, o desejo pelo objeto que idealizamos como o que nos preenche resulta nas pulsões. E junto com o conceito de desejo está o conceito de libido. Nesse contexto, esse conceito foi sendo amadurecido paralelamente aos avanços que estudos freudianos.

Em um primeiro momento, a libido era considerada apenas o resultado do processo de excitações, sendo que o ato de excitar é provocar uma elaboração da excitação orgânica em excitação psíquica, ou o afeto sexual. Posteriormente, Freud explica como uma energia da pulsão sexual intimamente conectada à pulsão de vida. Tudo isso tem a ver com muita coisa que está sob o guarda-chuva que é a palavra amor. Ou seja, é a parte energética da pulsão.

Dessa forma, Freud diz que a pulsão precisa do desejo (psíquico) e da libido (sexualidade). Dessa forma, ele abre o termo amor platônico a mais do que um desejo intelectual idealizado. Ele passa a ser tudo aquilo que acreditamos ser o que nos falta.

Comentários finais sobre o amor platônico;

Como dissemos, para Freud o conceito de amor platônico está muito ligado ao que ele entendia como pulsão, isto é, um estado de incompletude. Com isso, esse comportamento se dá em decorrência daquilo que um indivíduo não pode ter. Entretanto, não necessariamente isso é algo ruim, já que trata-se de um instinto que nos mantém vivos, mas, ao mesmo tempo, desesperados por uma nova oportunidade de conquista.

*Com informações do site Psicanálise Clínica.

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