Bloco de Notas

Em dias suspensos nesse hiato sem fim, em que o tempo é senhor de todas as horas, meu desejo é falar de gramáticas e sintaxes. E de semântica, que é palavra linda. Assim como outras, que gosto de tocar, mais do que de falar. Vou te contar um segredo: sempre soube do poder que tem uma palavra.

E é dessa palavra que traz o dia e que nele se desenrola em textos tecidos, que vou te contar. Nesses dias de cabeca para baixo, um imenso tapete de palavras novas.

Máscaras, respiradores, plantão, UTI, curva, ascendente, decrescente, colapsos e as ouvidas em inglês, lockdowm, lives e por aí vai . Nunca nem tinha parado para saber que elas sequer existiam.

Quando somos guardadores de segredo, vira cúmplice. Já ouviu falar disso?

Quarentena, isolamento, mais máscaras, álcool e, se der, luve-se. E devagar, lenta na sua forma, soaram tanto nesses ouvido atentos, que viraram verbo de ordem. Fique, lave, doe. Palavras mandando em mim assim, fácil e, mesmo sem querer, de súbito, um verbo que se revela nessa máscara branca, na fila por um álcool gel.

E pensar que há poucos dias minhas palavras eram outras: futuro, mudança, transferir, curtir. Esses verbos de se entregar para a vida, sem nenhuma reticência, agora deu nisso. Mas não tem problema, não. Vamos para frente, seja lá onde for a frente.

O poder é aquietar e escrever. Sabia que palavra que não se escreve cresce até te sufocar?

Vou abrir meu ponto e vírgula para você: vai passar. Como passam textos, linhas e na voz do Herbert Vianna buscar a “chave que abre o céu, de onde cai a palavra. A palavra certa, que faça o mundo andar”.

Foto: @karmanverdi

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