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Campo de alma Grande

Senti que alguma coisa diferente aconteceu na cidade semana passada. Até os tratores que tentavam reanimar a agonia do Lago das Nações, pareciam mudos. Nesses dias que se foram, um silêncio de distância tomou conta das minhas ruas, trazendo um desassossego chato de querer entender o porquê. As respostas vieram, a cada nova saída de Uber, em forma de perguntas que eu sequer tinha feito.

– A senhora sabia que o Franz Café fechou? Outro Uber: a senhora sabia que o 21 bar fechou? Ou uma mensagem de celular:  A senhora sabia que o Gaúcho Gastão nos deixou? Que partiu para melhor?  Para ajudar na fotografia de cada motorista e suas perguntas silenciantes, os carros passaram por várias casas com placas de aluga-se ou vende-se, seja na Rua Catorze de Julho, Dom Aquino ou na Calarge. 

Essas perguntas ditas assim, soltas no ar, fez o vento abrir a janela do tempo e, como no rodar do cinema, a memória enfileirada trouxe de volta certos dias. Os dias em que eu me sentia viva na cidade. Nem gosto de ser saudosista, mas era no 21 Bar meu melhor blues nos acordes do Bando do Velho Jack. Era no Franz que fechava negócios e que o mundo parecia maior, era o Gastão que me impressionava, ano após ano, recebendo na porta com aquele sorriso de quem faz a melhor costela do Brasil. Era tudo isso que eu achava que era meu, só que não.

Essa semana senti que o tempo passou e olhar para trás está demorando mais do que devia, porque antes o passado estava aqui pertinho e hoje, está ficando cada vez mais longe. Olhei, mesmo assim, e vi que muitas outras coisas abriram e fecharam, pessoas nasceram e morreram e mesmo que eu quisesse, nunca conseguiria mudar o rumo de nenhuma história, a não ser a minha.  Tudo sempre está como deve ser e a cidade segue seu movimento. O silêncio não estava nas ruas, estava em mim.

Assim, a vida segue. Hoje eu queria sair para conhecer o Valentim, que nasceu na semana passada. Área de anexos.

Linda Benitez

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

5 Comentários

5 Comments

  1. Buga

    12/07/2019 em 11:03

    Lindaaaa
    Te amo, erman !

  2. Edson Clair

    12/07/2019 em 13:35

    Realmente a cidade está silenciosa.Mas é um silencio ensurdecedor que incomoda,instiga e nos faz remexer nas gavetas das memórias.
    Parabéns pelo belo(raio X) texto desse nosso grande campo

    • Alessandra

      12/07/2019 em 22:30

      Obrigada Linda! Realmente linda crônica e uma realidade que temos que passar e vencer, vencer a saudade e a lembrança do homem corajoso e destemido, meu sogro Gastão, foi e deixou um legado do bom atendimento, bom não, o melhor como ele mesmo dizia… obrigada querida Linda!
      Alessandra

    • Reinaldo

      13/07/2019 em 07:00

      O que incomoda não é o passar do tempo, mas a distância imposta pelas perdas das coisas e pessoas que amamos… de ti uma sodade pluta… bom humor e leveza é coisa rara… milibaccios

  3. Silvia Benitez

    12/07/2019 em 22:39

    Vc me emociona sempre com suas palavras amo vc ❤️

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