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Coisa de menina

O desafio é tentar te explicar o que está acontecendo comigo nessa manhã de sexta feira, com dois pensamentos nada a ver um com o outro e que eu gostaria de unir nessa crônica. Na verdade, três.

O primeiro é que sou a décima filha. A sétima menina dentre onze irmãos, que se multiplicaram sem preguiça, aumentando cada vez mais a quantidade de pessoas da minha casa de infância. Mais de trinta sobrinhos, imagina. Dava até para brincar de boneca com neném de verdade. Aquilo parecia uma linha de produção de fazer gente. Mãe era mãe, avó e bisavó quase que em tempo real. Só eu não tive filhos. De medo, decidi ficar para titia.

O segundo é que, quarenta anos depois de um dia qualquer desse quintal de crianças, quinta feira passada, fui ao médico. Sai de lá com a certeza de que me recuso a ter fogacho! Já não basta a sensação de maçarico por dentro do rosto, o cansaço, e mais essa palavra horrível para eu carregar?  Se pelo menos fosse uma palavrinha linda tipo brisa, ainda vai. Ou sopro da maturidade. Imagina contar que ando sentindo uma brisa ou o sopro da maturidade, normal para essa fase da vida. Poético! Agora essa outra aí, as sílabas nem combinam FO-GA-CHO. Quem inventou essa palavra não podia ser feliz. Conclamo aqui a todas as mulheres um levante contra essa palavra. A partir de hoje, nenhum médico pode ousar dizer essa isso numa consulta! Você pode ter 20, 30 ou 40 anos, um dia o fogacho vai te pegar, não se iluda! Para você não passar pelo que estou passando, venha somar comigo. É muito desconfortável passar por tudo nessa vida, conquistas, medos, superações, para chegar no… FOGACHO. Faça-me o favor!Basta as outras que entraram na vida de repente e agora falo toda hora, assim, normal, como se nada houvera: hormônios, colágenos, cremes, consultas. Que o tempo mudou meu vocabulário, isso é certo. 

O terceiro pensamento é que entre pessoas e palavras, os muitos dias se passaram. Hoje eu sei que não farei uma pessoa, mesmo que eu queira, por escolha da natureza. A fábrica fechou, o medo já não manda mais e foi-se o tempo de parir. E agora? Cuidar de mim com atividade física, comer direitinho, beber muita água e seguir fazendo arte, que era o que eu fazia no quintal da minha infância.

Essa menopausa deve estar embaralhando meus pensamentos nessa manhã de sexta feira. E essa seca piora muito tudo isso.

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Cristina Furst

    23/06/2019 em 19:44

    Super entendo. Muito bom!

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