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Declaração pública de amor

Show dos Menudos em campo Grande foto feita por Roberto Higa

O show dos Menudos em Campo Grande, lá pelas tantas dos anos 80, foi o dia mais importante da vida que, até ali, contava onze anos. Amassada entre as grades e a multidão que, se de um lado quase me engolia, do outro me tornava gigante. Senti o encaixe perfeito. 
Do show, vi quase nada. Queria mesmo era descobrir a entrada e saída daqueles artistas, como seriam os camarins e sorria para o chefe da segurança com a esperança telepática de uma explicação. Quem comandava aquela coisa toda? Essa busca ansiosa me fez olhar para fora do palco e lá, onde tudo começava, tinha um homem. Alto, andava de um lado para o outro. Usava uma pulseira grossa que imaginei “só pode ser de ouro”. Era ele o dono daquela magia, o Josimar Promoções. Foi a primeira vez que morri de admiração. 

De obedecer a vida e essas coisas que não se pode explicar, fui parar no escritório dele. Já mocinha, só a chance de trabalhar ali me fez convencida: Se ele era encantado e me escolheu, devia ser porque eu também era. Seguimos.

Vivemos momentos incríveis no caminho das nossas produções: Sandy e Júnior ainda pequenininhos, O Skank com a Garota Nacional que incendiou a juventude de meia cidade, a Banda Eva ainda com a Ivete, arrastou tanta gente no Albano Franco que parecia um formigueiro. Dos Paralamas do Sucesso, uma intimidade de família. Legião, RPM e outros tantos. Nas rádios “Josimar Promoções apresenta” era o chamado para esse sagrado momento de se entregar aos grandes circos místicos. Uma carreira digna para se transformar numa declaração pública de amor. Josimar e sua persistência. Josimar, sempre à frente. Josimar, que belo trabalho você fez.

Nessa fila do futuro, tem hora que se aprende. Desgarrei do professor e vieram mais mil e uma noites de aplausos, plateia, ingresso, camarim, técnicos, autógrafos, abre, fecha, vai começar. Montei as grades das minhas próprias multidões. E, assim, entre vírgulas, vinte e cinco anos se passaram. Mais rápido que uma flecha.

Sábado passado, fui ver um show numa residência aqui, no bairro mesmo. Pensa numa moçada bonita, produção bem-feita, música de qualidade, tudo como deve ser. Meu pensamento falante queria saber com quem será que eles aprenderam tudo aquilo? Será que dei conta de ensinar alguma coisa a alguém nessa vida? Esse mesmo pensamento, de mansinho respondeu: “você queria mesmo era ter sido o Josimar de alguém”. Emudeci. 

Descubro agora o motivo desse texto. Olhar para trás e honrar o que aprendi. Para frente, a vontade de conhecer a generosidade de ensinar. Que o Josimar saiba o quanto foi importante nessa trilha e o quanto é bom não andar sozinho. Principalmente no sábado à noite. E, se tudo já estiver ensinado, voltar a aprender com essa moçada bonita, que sabe muito das coisas.

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Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Eristom Gonçalves

    16/08/2019 em 19:44

    Foi uma febre os menudos . Minhas irmãs só queriam tudo deles. Acho que Sande e Junior ficaram pra trás na idolatria dos fãs.

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