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Escritor e jornalista, Ignácio de Loyola Brandão teme intervenção militar e acredita que políticos defendem apenas interesses pessoais: “não há diálogo”

Ignácio de Loyola Brandão esteve nos estúdios da Blink 102 para um bate-papo sobre seus livros e também sobre a situação atual do país. Não Verás País Nenhum, por exemplo, livro de grande sucesso do autor, é um livro escrito na década de 80, mas que, curiosamente, aborda muitos problemas enfrentados hoje no país e no mundo: aquecimento global, crise hídrica, escassez do verde, sociedade dividida e até sistema governante falho. “Foi sufocante escrever, às vezes precisava parar”, conta Ignácio, que também antecipa o lançamento de seu próximo romance Desta terra nada vai sobrar a não ser o vento que sopra sobre ela. Na entrevista, Ignácio de Loyola Brandão também comentou:

A separação de duas classes: políticos e povo

“Os políticos não chegaram no povo e nós também não chegamos neles. É impossível você governar o país sem o povo junto e é impossível o povo ter um país governado por pessoas sem o mínimo interesse nos interesses da nação”. Para Ignácio, o parlamento atual prioriza interesses pessoais e isso não mudará: “não há diálogo”.

Intervenção militar

O autor, que vivem no período da ditadura militar e, inclusive, enfrentou a censura, diz temer uma nova intervenção. Acredita que as pessoas que hoje apoiam uma possível intervenção militar são pessoas que não viveram a ditadura. E mais: “muitos dos que viveram até apoiavam, mas deixaram de apoiar quando a água bateu lá em baixo”, explica. Ignácio de Loyola Brandão vê os brasileiros recuperando, lentamente, a memória sobre os fatos passados agora que se volta a abordá-los: “tudo vem sendo resgatado”.

Leitura e literatura

Ignácio vê a questão da leitura como “uma questão complicadíssima”, principalmente porque hoje muitas coisas desviam as crianças e os jovens da atenção aos livros e textos. O autor relata um sistema de ensino no Brasil que, hoje, está “reduzido a zero” e completa: “ninguém sabe para onde ir, falta preparar professores e dar um salário digno”. Apesar dos problemas, Ignácio acredita em mudanças, principalmente considerando muitas pessoas que conheceu e que ainda fazem questão de investir em leitura e literatura. Ele menciona exemplos. Assista à entrevista completa:

Por Giulia Simcsik

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