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Filósofo e professor da USP, Vladimir Saflate: “Bolsonaro deveria estar na cadeia”

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Em entrevista exclusiva a Rádio Blink 102 FM, Safatle comenta democracia brasileira, falta de voz da população e eleições. Também opina sobre os principais nomes da corrida presidencial:

O fracasso da democracia brasileira

“O projeto de construir uma democracia no Brasil fracassou por uma série de razões”, afirma o Vladimir Safatle. Para o filósofo, uma das razões deste fracasso é o fato de a vontade popular ser quase nula: “é muito difícil imaginar um país democrático que tenha um presidente com reprovação absolutamente clara e evidente de suas políticas e que, mesmo assim, não leva em conta, de forma alguma, o que é da ordem do apelo popular”, afirma.  O professor comenta ser “difícil pensar uma democracia na qual a possibilidade de intervenção e questionamento da população é colocada à margem” e sugere a presença do que considera uma “partidocracia muito forte” na política brasileira, ou seja, “um jogo constituído para preservar estruturas partidárias” com pouca representação em relação ao que seriam os anseios populares. O fracasso da democracia no Brasil, segundo Safatle, também tem vínculo com a presença e a intervenção cada vez mais fortes do poder militar, o que é “uma coisa completamente aberrante”. “A fragilidade da nossa democracia é muito maior do que em qualquer outro país latino-americano e a gente não consegue perceber quão frágil é o que nos restou”, completa.

Uma república oligárquica no Brasil

Se não temos democracia, Safatle crê que o Brasil vive, hoje, uma república oligárquica oriunda de uma polaridade que sempre existiu: “nesse contexto, república oligárquica significa, entre outras coisas, que você tem uma espécie de casta política que consegue se perpetuar a despeito de qualquer coisa. O poder político brasileiro é familiar, passa de pai pra filho, literalmente. E esse processo acaba consolidando, de certa maneira, um núcleo dirigente que parece que é intocável dentro do ponto de vista eleitoral”.

A desobediência civil: “as pessoas estão paralisadas porque estão com medo”

“Um dos elementos fundamentais da democracia é o direito de resistência e resistência pode ser entendida de duas formas: contra o estado ilegal e em situações nas quais o governo vai claramente contra o interesse dos cidadãos”, defende o professor ao mencionar que cabe ao cidadão ser capaz de mobilizar suas formas de resistência, inclusive a desobediência: “no sentido de forçar o governo a compreender que ele tem que levar em conta o interesse da população efetivo”. Para Vladimir Safatle, “o Estado tem que ter medo da população” e isso não acontece no Brasil, ao contrário: a população tem medo do estado. “Existe um risco cada vez maior de, de fato, você ser objeto de uma violência brutal. E essa violência passa, não só pelas relações políticas, mas também pelas relações de trabalho”.

As eleições de 2018: “não vai haver eleição no Brasil”

“Existem várias maneiras de não haver eleição, uma delas é ir tirando os candidatos que você não quer que ganhe. Independente de ser a favor ou não, tirar um candidato em primeiro lugar e colocá-lo na cadeia, em qualquer eleição do mundo, já é um problema enorme”, destaca Safatle. “Você tem um núcleo dirigente do país que não tem base popular, não tem voto”, completa. O professor afirma ainda que não descarta um possível adiamento das eleições e que seria imprudência não cogitar esta possibilidade.

Vladimir Safatle opinou sobre os principais candidatos à Presidência da República:

Luiz Inácio Lula da Silva: “O horizonte de conciliação que fez o governo Lula não existe mais. Ele não saberia o que fazer, como governar”.

Jair Bolsonaro: “Deveria estar na cadeia, não na presidência. Alguém que faz apologia a tortura deveria estar na cadeia”.

Marina Silva: “Não representa e nem ninguém. É incapaz mesmo de ser uma candidata ecologista, o que é uma coisa aberrante. Tivemos o maior acidente ecológico do Brasil e ela não foi capaz de fazer uma declaração”.

Ciro Gomes: “Representa um pouco um horizonte nacional desenvolvimentista, que é meio tradicional do Brasil. Não à toa foi parar no PDT; pela primeira vez achou seu partido. Um pouco é isso: Vargas, Brizola, Ciro Gomes”.

Guilherme Boulos: “É alguém que vai ter oportunidade de ter tempo de desenvolver suas posições e quem sabe consolidar um espaço possível à esquerda”.

A entrevista de Vladimir Safatle foi realizada durante o programa Horário de Pico, da Rádio Blink 102, na última segunda-feira (14).

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