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Netflix e a nova série acusada de ser gordofóbica: o que elas não aguentam mais ouvir

A nova série da Netflix nem estreou e já está causando grande polêmica e comoção, tanto que existe até uma petição com mais de 100 mil assinaturas pedindo para que o produto sequer seja exibido, mas é pra tanto assim?

Vamos lá, a pressão estética para tentar se encaixar no “padrão de corpo ideal” é algo que persegue a maior parte das pessoas. Entretanto, uma mulher gorda acaba sendo obrigada a ouvir mais comentários negativos sobre o próprio corpo do que aquelas que são magras — principalmente com o aumento da popularidade das redes sociais.

O problema de situações como essa é que, além da mulher gorda precisar lidar com comentários alheios vindo até mesmo de desconhecidos, essas frases acabam perpetuando algumas ideias irreais e, principalmente, reforçando a ideia de que essas pessoas só podem ficar satisfeitas consigo mesmas ao emagrecer.

O trailer da nova série da “Netflix” que será lançada em agosto, denominada “Insatiable”, por exemplo, causou um rebuliço nas redes sociais e foi acusado de promover “fat-shaming” com adolescentes ao mostrar a personagem principal, Patty (Debby Ryan), ser humilhada por colegas de classe diariamente por ser gorda.

Durante as férias de verão, Patty leva um soco na boca e precisa passar por uma cirurgia, levando vários pontos. Por causa disso, a personagem fica magra e, quando retorna à escola, começa a se vingar das pessoas que praticavam bullying com ela.

Segundo alguns internautas, porém, esse tipo de produção só encoraja meninas gordas a querer emagrecer, já que a personagem é representada como “Patty Gorducha” antes da mudança e, quando fica magra, se torna uma mulher “ousada” e “desejada” por todos os rapazes do colégio. Além disso, o fato de Patty ter “costurado a boca” também deixa implícito que é preciso parar de comer para “ficar em forma”.

As críticas chegaram até uma das atrizes da série, Alyssa Milano, que interpreta a mãe da personagem principal, que defendeu a produção no Twitter: “Não estamos envergonhando a Patty. Estamos mostrando (através da comédia) os danos que podem surgir por causa do ‘fat-shamming’.” A produtora executiva da série, Lauren Gussis, também reforçou que a mensagem principal é sobre “os danos de acreditar que a aparência exterior é o mais importante”.

Promovendo ou não o “fat-shaming”, “Insatiable” abriu diversas discussões sobre o estereótipo “clichê” da estudante gorda que é humilhada e excluída até ficar “irreconhecível” ao emagrecer e se tornar a mais popular do colégio.

Pensando nisso, se ligue em algumas frases que as mulheres gordas não aguentam mais ouvir e que reforçam o clichê denotado na série:

“Você tem um rosto tão bonito, por que não emagrece?”

Em primeiro lugar, é preciso saber uma coisa sobre a questão de autoaceitação: é um processo contínuo. Uma frase que afirme que parte dessa pessoa não é “bonita o suficiente” só joga todo o esforço que ela teve para se achar linda por água abaixo.

Claro, existem pessoas que se acham maravilhosas desde sempre e foram encorajadas a isso durante as diferentes fases de crescimento, mas infelizmente também existem casos de crianças e adolescentes que sofrem bullying por causa da aparência. Esses jovens se tornam adultos e acabam tendo um sentimento ruim sobre o próprio corpo , chegando até mesmo à odiá-lo.

“É uma questão de preocupação com a sua saúde”

Ser uma mulher gorda ou homem gordo não é sinônimo de problemas de saúde ou de “não se cuidar”. E também não significa que essas pessoas não tenham um acompanhamento médico regular e tenham feitos exames sobre índices de colesterol, diabetes e todos aquelas coisas que quem diz esse tipo de frase se diz “tão preocupado” sobre.

Além disso, é preciso lembrar que nem sempre pessoas gordas se alimentam mal ou deixam de praticar exercícios físicos . Existem questões externas, desde estrutura óssea a hormônios, que fazem as pessoas terem biotipos diferentes.

“Nossa, vai comer de novo?”

Não é incomum que pessoas gordas recebam “olhares desaprovadores” quando estão comendo — como se alimentação não fosse uma necessidade vital. Entretanto, dizer coisas como “nossa, mas de novo?”, ao ver a pessoa se aproximar com um prato de comida, só faz com que ela se sinta mal por algo básico.

Da mesma forma, não é muito legal comentar coisas como “está fazendo dieta para emagrecer?” caso a pessoa esteja comendo salada ou “isso aí engorda” se ela decidir que é hora para um lanche de fast-food ou um pedaço de pizza.

“Desse jeito você não vai conseguir arranjar um(a) namorado(a)”

Antes de mais nada, o problema de frases como essa é assumir que uma mulher necessita estar com alguém. Depois, é deixar implícito o fato de que ela precisa emagrecer para estar com alguém, já que uma mulher gorda “não seria desejável”.

Novamente, o que está por trás disso é autoestima e confiança. Não há problemas tanto em não querer um relacionamento quanto em acreditar que esse parceiro ou parceira vai amar essa mulher e encorajá-la a se amar também.

“Você já tentou emagrecer?”

Lembra da questão já discutida sobre como uma pessoa gorda muitas vezes se sente mal sobre a própria aparência? Por causa disso, é bem provável que essa pessoa já tenha, sim, tentado emagrecer de diversas formas — até algumas não recomendadas, como dietas muito radicais ou ir à academia várias vezes por dia, todos os dias.
Além disso, a questão da aceitação é uma via de mão dupla: é preciso excluir da mente o pensamento de que toda pessoa gorda está infeliz com a própria aparência. Existem casos de pessoas satisfeitas com o próprio corpo sendo gordas, e não é por terem “desistido de emagrecer”, mas por se amarem como são.

O fato é que palavras podem magoar e, portanto, não ache que gordofobia é frescura ou que é mimimi. O mais importante é usar o bom senso. É a mulher gorda quem tem que se sentir bem consigo mesma e, atualmente, existem ativistas body-positive no Youtube que ajudam muitas pessoas a se aceitar como são e a entender melhor todas essas questões.

fonte: delas.ig.com.br

Escrito por

Buscando a felicidade sempre. Apaixonado pela comunicação e pela música. Sonhar, acreditar e jamais desistir, tudo isso sem perder a fé. Locutor, cantor e acadêmico de jornalismo. Apresentador do Viva-Voz. Me siga no insta: @padubotelho.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Herlano

    22/06/2019 em 22:16

    Engraçado que essa tal de “gordofobia” só existe quando é contra mulher né .. Homem Gordo pode sifrer DO MESMO jeito, mas ng liga e não existe “gordofobia” contra pessoas de sexo masculino

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