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A dura vida social

Thereza Toda Terça

Tenho quase certeza que a culpa da ansiedade é das redes sociais. A bem da verdade, penso que é sim. E foi com este decreto, e de uma só vez, que tentei sair de todas elas.  Mas qual o quê! – como diria Chico, o Buarque de Holanda. Eu tentei, mas não consegui. Elas ainda estão lá, não obstante meus esforços de quase neófita digital – é bom frisar. Fico pensando nas redes daquele filho – aquele – que desapareceu de um dia para o outro. Quem será o danado que fez aquele trabalho tão eficiente? Há algum tempo consegui sair do famigerado facebook.  Mas o Facebook não saiu de mim. A página continua lá – mesmo eu não tendo mais acesso – e, pior: as pessoas continuam me mandando pedidos de amizade. Para elas devo parecer mal educada e esnobe.

Conheço pessoas que conseguem ficar absolutamente alheias a essas tecnologias. Tenho um amigo que ainda usa celular dos anos 1990. Sem qualquer contato com aplicativo de mensagens e afins. Um felizardo. Consegue passar incólume pelas perturbações da era digital. Não possui nem conta de e-mail. Por isto não teve o dissabor de saber que seus dados (e de milhares de pessoas só no Brasil) foram vendidos para grandes empresas, graças ao Mark Zuckerberg e uma empresa chamada Cambridge Anaytica. Um ótimo documentário sobre o assunto está na Netflix “Privacidade Hackeada”.

As redes causam vício. Assim como o, nem tão inocente, WhatsApp que de tão íntimo, há quem o chame pelo apelido de Zap. E não vou entrar na seara das correntes, ou dos famigerados grupos. Afe! Faça um teste: veja quanto tempo você consegue passar sem olhar para o celular à sua frente. Ah! Mas eu acabei de receber uma mensagem, ou vou dar só uma olhadinha rápida no Instagram que, não é nada mais nada menos que o Facebook dos anos 2000 (a diferença é a necessidade de fotos, ou vídeos). Nele não há vida medíocre nem mais ou menos. É tudo o must. Felicidade completa a bordo de casas lindas, viagens deslumbrantes, roupas chiquérrimas e gente bonita de doer. E entre uma notícia e outra ele te pega na publicidade.

Pois é, de forma muito eficaz, ele faz você pensar que precisa de alguma coisa para ser tão feliz quanto aquelas pessoas. Que tal um creme milagroso que fará de você uma diva? Ou esta cafeteira maravilhosa? Que sim, nós sabemos que você procurou por ela num site. Assim como as passagens, vitaminas, roupinhas de bebê, tudo está lá pululando em todas as telas que você acessa. As empresas sabem tudo o que nós fizemos no verão passado e em todas as estações.  Pois é, não pense que um simples click seu é inocente. Ele vale ouro para o capitalismo.

Atualmente estou viciada no Twitter. Sim, viciada é o termo exato. Com ele não preciso mais ligar a TV no noticiário (minha TV é apenas um equipamento para ver filmes). Não assisto absolutamente nada. Nem o Papa (que eu adoro, diga-se de passagem). Mas o Twitter é uma perdição, principalmente para jornalistas e com a vantagem de não ter aquela publicidade te perseguindo.  A todo minuto uma notícia nova, uma análise inteligente, um fato extraordinário. E é por isto, exatamente por este excesso de notícias, que tenho passado muito mal. A sensação de que o País todo pirou e a América do Sul está em frangalhos me dói o corpo e a alma. Por isto vou sair das redes (se conseguir) por um sentimento bem comum: a vergonha. É ela quem mais me adoece.

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Escrito por

Theresa Hilcar é mineira, de Lagoa da Prata e chegou em Campo Grande no início dos anos 1980. Pouco depois iniciou sua carreira jornalista atuando como apresentadora de TV e participou de diversos programas nacionais como convidada. No jornalismo impresso passou pelo Jornal da Cidade, Revista Executivo Plus até chegar ao jornal Correio do Estado (sua melhor escola, como costuma dizer), onde atuava, principalmente. como repórter de cultura. Foi no jornal que se descobriu cronista e passou a publicas suas crônicas todas às terças-feiras, por quase 30 anos. Cursou Letras e Comunicação Social. Tem sete livros publicados e algumas antologias. Aos 61 anos, a jornalista e escritora diz que a coluna da Blink é quase um reinventar-se. Afinal, escrever para um púbico mais jovem será um desafio, confessa. No entanto, espera que seus textos possam conversar com leitores de todas as idades. É cinéfila de carteirinha, apaixonada por literatura se nunca se cansa de viajar. Por países e textos.

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