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Entre a terra e o mar, o indiomar.

De roteiro em roteiro, sigo vivendo essa minissérie deliciosa que é a vida. Hoje escreverei para guardar essa história que insiste em querer fugir da minha cabeça.

Um dos meus melhores amigos de Búzios é um sábio pescador e por sua simplicidade e sabedoria já faço qualquer coisa nesse mundo, tamanho seu repertório de saberes. Imagina que além da pesca fresca, traz ainda no luxo de seu tempero, recheios de pérolas, exibindo o tamanho do seu coração. Ontem me contou que a vida dele era um projeto do pai. Nasceria para ser campeão do concurso nacional de fantasias que, a cada edição, parava o Brasil. Nunca na nossa história haveria nascido um indiozinho tão perfeito. Foram sete anos sem cortar o cabelo do nosso herói. Madeixas naturais para o menino deus que segurava seu arco e flecha iluminado. Deve ter sido daí que esse espírito aprendeu a ser tão feminino e masculino, ser que tanto me encanta. Então, resumindo a ideia do criador dessa história: Preciso ganhar um milhão de reais. Como vou conseguir? Terei um filho. Deixarei seu cabelo crescer, vou ensiná-lo a ficar em pé nos meus ombros. Farei uma entrada triunfal. Não vai sobrar nada para ninguém. Bom para ele e para o futuro do menino. Imaginei.

Até ai eu já tinha pirado nessa poesia toda. Até descobrir que esse concurso era do Cassino do Chacrinha. Delírios da minha alma vintage e a sensação de valeu ter vivido para ouvir isso.

Do dia da competição, diz lembrar-se da Elke Maravilha e do Décio Piccinini. Ainda falou do sumiço, do pai que levou consigo todo o dinheiro que ganharam. Foi a avó que libertou seus cabelos prisioneiros e que a trança guardada é um troféu de família.

Ele falava e eu, incrédula, buscava na internet uma imagem para confirmar. Não encontrei e, num momento de plena consciência, percebi que melhor que achar um vídeo de memória num arquivo qualquer, o indiozinho vencedor estava ali, na minha frente. Aqui e agora, numa boa conversa, como a vida deve ser. E como toda boa história, um final, bom para todo mundo. O projeto do pai e seu sonhado milhão trouxe para a terra e para o mar, o meu amigo Indiomar.

O peixe ficou uma delícia.

Indiomar no Programa do Chacrinha.

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

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