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Felipe para sempre.

Existem palavras que revelam coisas raras e por isso atraem um mar de coisas caras. Sommelier, por exemplo. Palavra de origem francesa, diz a internet que hoje é o “nome que se dá para o especialista de bebidas de um lugar. Antigamente eram transportadores de carga e provadores de vinhos para a realeza”, termo que, por si só, carrega toda a fortuna do universo. Outras ainda como cristais, mármores, nobreza ou barista, tem alto custo só de ouvir.

Terça-feira passada fui almoçar num tipo de mercadão. O lugar moderno tinha a simplicidade como matéria prima do luxo. Tudo misturado, restaurante com frutas, legumes com óleos essenciais e outras coisas do tempo da minha avó. Também tinha um café, com seu aroma paralisante, disfarçado de sorriso no Felipe. 

Como ando querendo me meter com coisa nova, decidi saber mais dessa bebida, pesquisei os acessórios e vi que eles têm valor, não preço. Quando percebi que ali no balcão tinha uma, parei para me certificar. Para ter ideia, existe uma chaleira que custa mais de trezentos e cinquenta reais, fora o filtro. Uma chaleira, que é uma palavra barata. Felipe não só me mostrou, exibiu. Era uma Hario. Ah, está explicado. Perguntei se ele era barista, respondeu que sim. Impressionada, agradeci e sentei, só para um expressinho mesmo.

Dois minutos depois, veio até a mesa. Perguntou meu nome, pediu licença. Queria me mostrar mais sobre sua arte de fazer café. Alinhou horizontalmente suas ferramentas, parecia um cirurgião. Respirou fundo, passou uma mão no outra, deu um tom de iniciação sagrada do momento que viria. – Linda, para um bom café você vai precisar de uma balança, uma chaleira, no caso, uma Hario e o filtro de vidro esse anel, que sempre será de madeira.

Falava e colocava as coisas em posição, recorte visual para essa mão: ela deslizava no ar com um movimento circular leve, inebriante, que garantiria que o pó chegasse até o final de forma equilibrada, compassada para o primeiro jato de água quente. Uma espécie de preâmbulo de trinta segundos para aguardar a chegada da magia das bolinhas de oxigênio e seu pulsar vital. – Está vendo, Linda? Isso é necessário para expandir nutrientes, aromas, óleos essenciais.

E eu que nem sabia que café tinha óleo, ainda mais essencial.  A cada x de segundos, mais água e aquele movimento orquestrado da mão do Felipe. 

Nessa minha cabeça que flutua, a essa altura da emoção já tocava La Reverie, do Schumann,  porque o espetáculo merece.  Não tomei o café que ele fez porque chegou meu expressinho. Ele deve ter se expandido também, já que saiu à francesa, sem fazer alarde e me deixando em total estado de graça. 

Felipe é uma palavra de luxo que tomou acento na mais simples e poética experiência escondida numa hora qualquer, esperando para ser encontrada.

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Eristom Gonçalves

    09/11/2019 em 20:36

    Adoro suas crônicas.
    Já faz parte do meu passa tempo!!!

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