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O TRÂNSITO QUE TRANSFORMA

Alguém já deve ter ouvido falar num ditado que diz o seguinte: “Quer conhecer melhor sua(seu) namorada(o)? Case-se com ela(e). Se quer saber realmente quem é sua mulher ou marido, separe-se dela(e)”. É um ditado antigo, carregado de exageros e que talvez não represente a realidade de hoje. Mas é bem procedente em alguns casos que conheço de amigos e amigas que se separaram e não tiveram boas experiências. Eu prefiro atualizar esse ditado para algo mais factível: “Se deseja realmente conhecer alguém, coloque-o para dirigir no trânsito!”. Pelas experiências que já vivi e pelo que tenho visto nas ruas hoje, a transformação é muito mais espantosa.

Vou dar um exemplo: certa vez, em São Paulo, peguei carona com um colega de trabalho amável, extremamente educado, pacífico até na maneira de discutir com as pessoas. Uma pessoa paciente e que talvez merecesse o Troféu de Serenidade do Ano. Pelo menos até assumir o volante do carro e cair num trânsito complicado como o da capital paulista. Fábio (vamos chamá-lo ficticiamente assim) se transformou de tal maneira que em determinado momento eu quase saltei do carro com medo de ser agredido por ele. Aquela pessoa calma e paciente virou um monstro devorador de espaço, amaldiçoando qualquer outro motorista que ameaçasse cruzar o seu caminho. Fechadas bruscas, xingamentos, forçadas de passagem e enfrentamentos eram apenas as atitudes, digamos, “mais leves” do meu amigo. Tudo pela ânsia de sair logo daquele inferno chamado congestionamento e sentar numa mesa de boteco. Não era nem pra acudir a mãe num prédio em chamas. Aquele Fábio que enrubescia quando falava “merda” e pedia desculpas, soltava inúmeros FDP, VTNC e VSF (siglas que uso para alguns palavrões) a cada segundo de disputa na rua. Um verdadeiro “Pateta no Trânsito” (quem nunca assistiu a este episódio do personagem mais engraçado da Disney, veja aqui:

E é no trânsito mesmo que as pessoas revelam sua face mais cruel. Em Campo Grande então, apesar de não termos, nem de longe, uma ínfima parte dos problemas do trânsito de São Paulo, o pouco aglomerado de tráfego em horários muito específicos já serve para tirar as pessoas do sério.

Tente, por exemplo, buzinar para alguém que não percebeu o sinal abrir porque está olhando o celular e colecione o vocabulário de desaforos que esta pessoa te dirá. Ou então reclame de uma mãe que está parada em fila dupla na porta de uma escola e veja a fúria encarnada em uma mulher. Se você acha que é exagero meu, tente isso, mas não me culpe depois de tê-lo incentivado.

Vejo bons exemplos dessa falta de educação no trânsito na porta da minha casa. Como moro numa rua muito movimentada, diariamente, são quase 5 minutos de espera tentando achar uma boa alma que pare e espere eu sair da garagem. Boa parte dos motoristas faz questão de parar bem atrás, mesmo que o trânsito à sua frente esteja parado no cruzamento. Ou então na porta da escola da minha filha onde, apesar de não ser possível parar em fila dupla, pais folgados estacionam da forma que bem entendem no terreno em frente destinado ao estacionamento ou então no portão de saída do outro estacionamento ao lado, porque não querem andar mais de 20 metros para atravessar a rua. É o tipo de gente que usa vaga de cadeirante e idoso dizendo “é apenas 2 minutinhos” ou que deixa carrinho de supermercado ocupando uma das poucas vagas disponíveis.

Aliás, este é outro problema recorrente em nossa capital – a incapacidade de certas pessoas de andar 30 metros para levar o carrinho de volta ao seu devido lugar, largando-o ali como se fosse uma Scânia ocupando uma vaga. Junte isso ao desconhecimento do uso da seta, o excesso do uso da buzina e a falta de gentileza e temos um dos trânsitos mais indigestos do país.

Antes que alguém me xingue como se estivesse dirigindo, afirmo que esse comportamento não representa a maioria mas sim um bom número de motoristas que acreditam que o tamanho ou o luxo dos seus carros lhe credenciam para imbecilidades. E o pior é que parece que quanto mais caro o IPVA, mais irregularidades são cometidas.

A gente precisa entender que gentileza no trânsito, ou em qualquer lugar, não exige talento!  

Mas esse não é um defeito apenas em Campo Grande. Talvez aqui por não termos ainda tanto trânsito assim e desfrutarmos, dentro do possível, de uma “certa tranquilidade”, as atitudes fiquem um pouco mais ressaltadas. Mas, em geral, é um comportamento do ser humano de qualquer cidade em crescimento que ainda não aprendeu as regras de convivência no trânsito. A gente precisa entender que gentileza no trânsito, ou em qualquer lugar, não exige talento!

Eu sempre digo “Nunca discuta com outro motorista, por mais certo que você esteja. Você nunca sabe quem é o louco ou a louca que esta por detrás do volante do outro carro”. Como repórter, já cobri muitos casos em que uma discussão boba terminou em tragédia no trânsito – alguém que foi baleado porque reclamou da fechada de outro ou teve uma faca enfiada no pescoço porque buzinou mais do que devia. Eu prefiro ser feliz do que ter razão! Talvez a gente ainda esteja longe desse tipo de reação, mas do jeito que as coisas caminham, ou melhor, rodam, não vai demorar para que todos sejamos, também, um “Pateta” ao volante. 

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Um olhar sobre a humanidade fatos, comentários, especulações e mexericos sobre o que acontece à nossa volta.

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