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Para o Rei, com Amor

Sugiro ouvir antes de ler.

Esse Roberto Carlos amanheceu grudado em mim. Acordei com a canção Côncavo e Convexo, tocando tanto na cabeça que mais parecia um chamado. Enquanto fazia o café, ouvi e foi fantástico. Bastou um acorde para reacender os dias lindos de um tempo em que eu me ouvia, ouvindo música. E fazia faxina.

Todo sábado de manhã a limpeza pesada da casa me dava a conta de pequenos desafios de perfeição. De rabinho de cavalo e camiseta surrada, essa música me transformava numa mulher linda, de tubinho básico e salto alto. Suada, sentia tudo o que a letra dizia. Cantava para alguém com tanto fervor que acho até, sofria. Existia a forma ideal, a medida perfeita, só não existia a pessoa. Nesse tempo de pureza, ainda não conhecia o amor, mas já sabia que eu queria ser o côncavo. Não sabia nem o que era, mas queria ser isso. Sentia seu poder e era para o convexo que daria todo meu amor. Para ele eu cantaria e entregaria meu melhor, enquanto passava aquele pano molhado naqueles móveis. Era com ele o meu completo.

Doze viraram vinte e quatro, que viraram quarenta e nove anos. Outras palavras cruzaram meu destino em forma de pessoas. Parcerias, amizades, conexões, prazeres. Dias dedicados a construção de um amor assim, como manda a receita.  Amores feitos e refeitos, cada um com sua beleza, deixando saudades que também fizeram arder.  E a cada fim, uma falta de resposta. Os ciclos que abrem e fecham podem ser bonitos de ver, mas tem hora, enjoa. Por que sempre tem que terminar?

A letra da música, num pisco de poder da poesia, revelou a resposta. É certo que consegui ser o côncavo, como desejado, e isso foi mágico. A ilusão foi acreditar que o convexo existia fora de mim, em outra pessoa.  A resposta?  As duas partes me tornavam. Senti até alegria com essa completude. Escutei de novo e me achei ali, inteirinha, nada de metade e isso também foi fantástico.

Sábado que vem aumenta o som que vai ser dia de faxina! Eu vou de tubinho básico e salto alto. O rei merece!

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

2 Comentários

2 Comments

  1. Eva Salmazo

    28/06/2019 em 15:49

    Parabéns a rádio Blink, por nos trazer toda semana uma viagem com esta escritora maravilhosa que entra na nossa imaginação e nos traz tanto prazer!!!!

  2. Cristina Furst

    04/07/2019 em 12:23

    Muito bom.Muitas coincidências.. adorei! Sábado dia de faxina.. clássico.

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