Pausa para o café

Gosto de escrever na primeira pessoa, mas morro de vontade de saber criar aqueles textos em que o personagem tem nome. A Macabéa da Clarice, O Riobaldo do Guimarães, o Bernardo do Manoel. Esse negócio de ficar no eu, o tempo todo, enjoa.  O lance é se aventurar.   Vou inventar a Raquelzinha.

Uma mulher comum, meia idade e cheia de ai ai ai. Dói o pé, a cabeça, dói até o que não tem.  De manhã, de tarde, de noite. Gosta mesmo é de ouvir “judiação” de quem tiver por perto da sua choradeira e cada dorzinha nova lançada no mercado, corre para arrumar jeito de ter.

Até que foi morar longe. Como que ia reclamar agora sem ninguém para ouvir?  Sozinha é outra conversa. Ouvia duas vozes na cabeça, uma que mandava se cuidar e a outra, se lascar. Até que tomou jeito, foi ao médico. Os exames? um caos. Um monte de alteração, falta de vitaminas do alfabeto todo, uma bagunça.

O remédio ela até sabia, só que não falava para ninguém. Precisava ficar quieta, mudar hábitos, arrumar a coisa toda.  Até que decidiu num chega! ‘Viver com dor e na na pressa de se tornar sabe-se lá o quê, ninguém merece.

Nem para consertar estava dando, ia caminhar, travava o joelho. Parecia carro velho. Amortecedor, bandeja e coxim. Tudo estragado. E para ajudar mais, pegou uma virose, dessas de verão. Não podia comer quase nada, carne, café, álcool. O médico mandou cortar tudo.  Descobriu que além de tudo, era uma viciada de marca maior. Pura cafeína o cérebro da pessoa.  Não dava mais para ser assim.

Nessa pausa, sem poder quase nada, sobrou tempo para analisar seu movimento. Quem mandava no seu corpo? Quem dentro dela metia o pé na jaca? O que é que se faz quando se liberta dessas coisas? Esses medos voadores todos na cabeça. Quando se deu conta, lá se foram 21 dias e aquela voz interna, sossegou. Surgiu um silêncio barulhento. Mas um silêncio.

Só de perceber isso, colocou as taxas todas no lugar e o joelho aquietou e as dores então, tudo sossegado.

Outro dia encontrei com ela. Me disse para beber muita água, diminuir o café e voltar a caminhar.

Como é mesmo o nome que se usa para o contrário de dor?

Pergunta para a Raquelzinha.

Linda Raquel Benitez escreve a coluna Vida Linda para o Blink News. Ela conta o que aprende com tudo o que vê e vive; relata impressões e ideias da vida e do dia a dia. Empresária, produtora cultural e design de eventos, Linda é campo-grandense e vive, atualmente, em Búzios (RJ). É casada, tem dois vira-latas e estuda filosofia. Foto: Milena Rodrigues

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