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Polêmica! Guia para pais diz que punição deve ser primeira linha de disciplina

Palmadinha, resolve? Esta é a eterna questão que ainda permeia o pensamento de vários pais mundo afora.  Os paradigmas acerca da educação dos filhos mudaram muito nos últimos 30 anos e existe hoje a chamada Lei da Palmada, aprovada em 2014 e que proíbe castigos físicos, mas e quando um guia destinado a pais vai na contramão de todo este pensamento psicopedagógico moderno? Treta na certa.

Mãe de três crianças e autora de um guia para pais, Sue Edgerley foi a um programa de televisão australiano neste mês para defender a prática da palmada na educação das crianças. “Acredito que deveria ser a primeira linha de disciplina quando se trata de crianças”, disse em entrevista ao programa “Today”.

Para Sue, existe uma diferença entre atacar uma criança e dar uma palmada “educativa”, de acordo com suas palavras. “Um pai que bate na mão ou no bumbum de um filho de uma maneira controlada e calma não é assustador para a criança. Eles sabem o que esperar, eles sabem que os pais estão no controle”, afirma a mãe e autora.
Dependendo da idade e do tamanho da criança, do método de punição, da capacidade de raciocínio do pequeno e do dano gerado, punições físicas não são ilegais na Austrália. Entretanto, a história é bem diferente aqui no Brasil. Desde 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff assinou a Lei nº 13.010/2014, mais conhecida como Lei da Palmada ou Lei Menino Bernardo, as crianças e adolescentes têm o direito garantido a uma educação sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante .
Pela lei, pais, integrantes da família, responsáveis, agentes públicos ou quaisquer pessoa encarregada do cuidado, trato, educação e proteção de uma criança não têm pretexto algum para o uso de punições como a palmada. E a proibição das punições físicas é apoiada por especialistas no assunto.

Palmada gera mudança momentânea

Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro “Limites sem Trauma”, a professora Tania Zagury afirma que muitas pessoas não sabem diferenciar uma opinião pessoal de uma opinião fundamentada em estudos. A especialista lembra que até a década de 60 bater era um recurso educacional que realmente fazia parte da educação, mas, com o avançar dos estudos, percebeu-se que o castigo física não molda, de fato, a criança.
“Bater pode dar a impressão de efeito, mas em um primeiro momento. Ninguém gosta de ser agredido, seja criança ou adulto, então bater cria realmente uma obediência imediata, porque a criança quer parar de apanhar. Entretanto, não significa que ela aprendeu.”
As crianças que apanham são reprimidas pela dor física, pelo susto e pelo medo. Até mesmo crianças menores, como exemplifica Tania, entendem que a palmada gera uma reação no outro, por isso batem para chamar atenção. Mas a especialista alerta que se foi preciso chegar a este nível, de um pai ou mãe bater em um filho para educar, é porque o responsável não está sabendo como agir.
“Muitas crianças que apanham, dependendo da personalidade, se tem um temperamento mais forte, se é determinada, vão deixar de fazer aquilo que é errado na frente dos pais, mas vão voltar a praticar o erro quando estiverem longe deles. Ela não aprendeu de fato. Em educação, só há aprendizagem quando há mudança efetiva de comportamento.”

O que fazer com crianças muito indisciplinadas?

Se por um lado os castigos físicos geram uma reação momentânea, só ficar explicando as coisas também não é a melhor maneira de educar os filhos porque as crianças acabam dominando a situação. Os pais precisam educar sem deixar a autoridade que cabe a eles de lado.
“O diálogo não funciona muitas vezes porque alguns pais não são firmes em suas decisões. Quando essa questão do bater estava no auge, os pais passaram a deixar os filhos a fazer tudo o que queriam. Muita agressão não era legal, bater demais não tinha efeito, então vamos conversar, mas alguns pais apenas conversavam”, explica Tania.
As bases da educação fora de um extremo ao outro, mas é preciso manter a autoridade, e só com conversa isso nem sempre é possível. Para a especialistas, há alguns radicalismos desnecessários, como a necessidade de abaixar até a altura da criança para uma conversa ou bronca. Tania não acha que isso vá traumatizar a criança. Por outro lado, ela acha que tudo bem os pais ficarem de pé até porque os pequenos precisam aprender sobre hierarquia.
“É necessário que o pai saiba manter a autoridade mesmo conversando com a criança. Não precisa de nenhuma agressão, mas tem de manter o que foi falado. A criança vai saber que o que você fala é para valer. A mãe ou o pai não perde a autoridade e o filho ainda passa a entender que fez uma escolha inadequada.”

Outra questão que atrapalha a relação entre pais e filhos, responsáveis e crianças, é o imediatismo ao qual estamos acostumados com as tecnologias atuais. Tudo deve ser muito rápido. Se o celular demora a ligar, por exemplo, isso já irrita, e os adultos querem que as crianças aprendam tão rápido quanto os aparelhos tecnológicos – algo que é impossível.
“Hoje, os pais são muito imediatistas. Querem resultados para agora, mas o processo de aprendizagem não é fácil”, alerta Tania. Para se ter uma ideia, uma criança leva cerca de doze anos para aprender a importância do escovar os dentes. Ao longo dos anos, com a firmeza e paciência dos pais e responsáveis, a criança vai aprender a ter empatia, pensar no outro e ser capaz de raciocinar.

“A verdade é que a persistência é a grande arma dos pais, mas é também a grande arma dos filhos. É um verdadeiro cabo de guerra. Os pais devem entender que o conceito aprendido é aquele que é interiorizado, que muda o comportamento da criança. E educar é um projeto para mais de vinte anos – hoje em dia, leva até mais do que isso”, finaliza a especialista.

E aí, já passamos da época da palmada ou ela ainda deve existir, quando necessário, nas relações entre pais e filhos?

fonte: delas.ig.com.br

Escrito por

Buscando a felicidade sempre. Apaixonado pela comunicação e pela música. Sonhar, acreditar e jamais desistir, tudo isso sem perder a fé. Locutor, cantor e acadêmico de jornalismo. Apresentador do Viva-Voz. Me siga no insta: @padubotelho.

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