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Professor se revolta com cortes de árvores em Campo Grande e escreve carta de amor a natureza.

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Professor se revolta com cortes de árvores em Campo Grande e escreve carta de amor a natureza.

Em frente da casa do Professor universitário Flávio Adriano Nantes havia uma imensa figueira. Uma árvore linda (confira a foto). Cortaram. O professor teme que uma outra figueira, que fica na rua atrás da sua casa, seja igualmente cortada. O Professor sabe que a figueira da Praça do Rádio, por segurança, já havido sido arrancada de nós e movido por indignação e um profundo amor a natureza escreve o que vem a seguir.  

Professor se revolta com cortes de árvores em Campo Grande e escreve carta de amor a natureza.
Professor se revolta com cortes de árvores em Campo Grande e escreve carta de amor a natureza.

Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore
(Manoel de Barros)

Aprendi com o poeta Manoel de Barros que o homem entra em estado de árvore, se imbrica a ela, se metamorfoseando numa espécie de homem-árvore. A relação entre ambos os converte em um só. Seria essa familiaridade entre o homem e a árvore o fato de que ele, assim como ela, está para a amputação? As árvores são cortadas, postas fora; no homem, segundo os operadores da psicanálise, há a falta, o furo, o vazio próprio de cada um. A partir desta convergência entre árvore e homem, não existiria um mito que traga à existência o ser metade homem, metade árvore? Não tenho notícias!
Em frente a minha casa há um terreno baldio e nele havia uma imensa figueira. Cortaram e cercaram o terreno. Na rua atrás de casa há uma outra, sobrevive; tenho receio de passar por lá qualquer dia e não vê-la.
Quarta-feira (09/10), a prefeitura da cidade cortou a figueira da Praça do Rádio, alegando segurança para os transeuntes (estava escrito assim no jornal local), sobretudo os usuários do transporte público – há um ponto de ônibus muito próximo ao lugar onde estava a árvore.
A impressão que eu tenho é que estão cortando todas as figueiras da cidade.
Alguns ambientalistas, defensores das árvores, puseram suas máscaras e tentaram um protesto, tímido. Não houve, no entanto, outro destino para a figueira, árvore que enchia os olhos dos passantes (prefiro essa palavra), senão sua retirada.
Estou amputado pela falta da árvore. Amputaram-na. A Praça está vazia e já não se pode, pelo menos lá, entrar em estado de árvore.
Mas era proteção. Pelo bem dos cidadãos (ou cidadãos de bem), a árvore deveria ser cortada. A cidade perdeu a figueira, está, também, amputada. Ficou o tronco, o vestígio, a lembrança, a saudade de encher os olhos.
Não havia um jeitinho? Afinal somos especialistas! E se transferissem o ponto a alguns metros de distância, ou colocassem um cercadinho na árvore e uma plaquinha, informando um certo distanciamento para proteção? Não há jeitinho para salvação de árvores aqui em terras pantaneiras?
Se cada folha, pedra, rocha, rua, vida… têm uma história de existência, que dizer das figueiras da Praça e a de perto de casa? Não raro, explodem notícias que um museu, uma igreja histórica, um prédio tombado, ardem em fogo, perdendo sua história ou parte dela. Com as árvores daqui acontece algo semelhante; no Pantanal e na Amazônia, também, amputando a existência delas e nosso estado de árvore.

Flávio Adriano Nantes

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