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Rolezinho anti-cupim

O dia amanheceu nublado com cara de delicia para deitar, desses que a rede vai embalando devaneios e lembrancinhas. Esse dia em que o essencial é ficar quietinho, sem nem se mexer muito para não acordar os pensamentos. Um dia perfeito para aprender a ser leve. Comecei fazendo um café.

A ideia era compor uma cena bucólica, tentando uma elegância de tomar a bebida quente embalada na rede e depois ler um livro.  Leveza pura.

Até aqui tudo certo se eu não tivesse tropeçado, derramado todo o café no sofá bege claro e para completar, sair pingando pelo chão. O cenário, de repente, virou um terror de quinta.  Agora tenho duas opções:  deixar levar pela raiva da falta de atenção ou tentar de novo. Sem café, deitar na rede e ligar para um amigo.

Eu – Oi tudo bem?  Aqui está um dia lindo, nublado, cinza, do jeito que a gente gosta. Falando com você e vendo um gato preto passeando no meu quintal. Parece um rei, um jaguar (tentando tipo contar historinhas bonitinhas e não aprofundar muito).

Ele – Nossa! Gato preto cedo no quintal e com dia nublado? Vish, se prepara! Tem energia negativa aí!

Pronto. Só essa frase foi suficiente para acordar todos os pensamentos, aqueles cupins de uma só vez! Ah, por isso derrubei o café! Já sei, tem coisa negativa em mim! (Isso já estava rodopiando e procurando nada no lugar nenhum!).  Aqui a rede já fazia barulho sinistro e aquele cinza do céu já me dava arrepios de medo. Como é possível tanto pensamento cupim? Da onde eles vêm?  Fiquei nessa um tempinho, até um opa! Pode parar que o caminho você já conhece! Respirei fundo. Que papo de espírito, de polaridade, de energia o quê. Vou é sair de bicicleta. Quero ver essas ideias me pegarem quando começar a pedalar. 

No passeio, vi uma Búzios linda, com seus pés de pimenta rosa, todos florindo. Ouvi histórias legais no lava jato, no restaurante. Gente que quer casar, gente que tem horror a pensar na ideia, um senhorzinho que adora o Racionais.

Voltei para casa, deitei na rede abri meu livro – A insustentável leveza do ser.  Hoje o dia está perfeito para ler. Milan Kundera sabia das coisas.

Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

4 Comentários

4 Comments

  1. Dedê Cesco

    22/02/2019 em 11:10

    Estou amando e me deliciando com as crônicas. A Linda com seus textos, nos provoca à reflexão diante de situações cotidianas com uma leveza ímpar!

  2. Thiago

    01/03/2019 em 00:55

    Seus cupins são fantásticos!❤️

  3. Leandro

    02/03/2019 em 07:11

    Excelente, Cupins estragam qualquer dia lindo mesmo.
    AMEI O TESTO!!!

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