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Saudade, com polvilho!

Tem certas coisas na vida que por mais culturais que possam ser, não é para qualquer um. Fazer chipa, por exemplo.

De família paraguaia e com todo tempo do mundo no RJ, decidi aprender a fazer. Vai que dá certo e eu viro a magnata vendendo a R$ 1,00 em terras cariocas. Isso é tudo o que o Rio precisa nesses tempos tão turbulentos. Se a Chipa atravessou a Guerra do Paraguai, aqui vai ser moleza.

Peguei a receita na internet e fiz certinho para comprar os ingredientes, com lista e tudo. Nunca na vida fiz uma massa, nunca na vida imaginei do que a chipa era formada na essência dela. Percebi que é amassar, amassar, amassar, num sem fim e que fazer ouvindo música ajuda e muito. Se for a Perla Paraguaia, então, teremos um clássico de gastronomia mundial.

Música Mercedita tocando, polvilho deixando tudo branco, inspirada que só! Não deu um minuto, para um sentimento de pertencimento encher meu coração.

Viajei para dentro de mim, numa velocidade deliciosa de retorno e senti saudades demais da minha mãe. Uma presença na ausência que há tempos não me visitava.  

Totalmente absorvida na memória, no ritmo, naquele cheiro. Eu adorava quinta-feira santa, que era o dia de fazer muita chipa com todos os irmãos e acredite, éramos onze Elas tinham que durar até a Páscoa, só para imaginar o quanto tinha que ser feito. Nem sempre ficava, digamos, maravilhosa, mas o encontro com todo mundo na cozinha, esse levei para a vida toda.

Ah! Sobre a receita:  sujei todo o computador, a roupa, a cara, a pia parecia uma escultura e a massa ficou mole. Foi bom, pois tive que ir até a vizinha trocar uma xícara de alguma coisa por outra coisa para endurecer. Mole estávamos eu e a massa, ela, de amor e eu de saudade.

Para fazer chipa perfeita é necessário ter raízes. E saudade. 
Acho que vou ter que comer essa chipa com marreta.



Escrito por

Linda Raquel Benitez é uma brasileira campo-grandense. Empresária, e estudante de filosofia, é produtora cultural e design de eventos, há 20 e poucos anos na estrada. Formada em buscar um jeito mais leve de ver a vida, sua especialização é falar sem parar. Desde o ano passado, decidiu escrever e assumir suas crônicas para o mundo.

8 Comentários

8 Comments

  1. Leandertal

    15/02/2019 em 10:35

    Chipa é tudo de bom. Como essa crônica também é!

  2. Silvia

    15/02/2019 em 10:35

    Conheço bem
    Essa receita kkk te confesso q me envolvi nessa história tanto quanto vc … muitas saudades … e hj mesmo vou fazer uma chipa paraguaia … viajei no tempo, amei o texto te amo !!

  3. Leandertal

    15/02/2019 em 10:39

    Ao ler esse texto, depois da uma vontade de eu mesmo aprender a fazer uma chipa. Preciso aprender já!!!!

  4. Vana charbel moura

    15/02/2019 em 11:15

    Ahh esse texto e uma delícia,memórias afetivas.Adorei

  5. Vana charbel moura

    15/02/2019 em 11:16

    Adorei,esse texto.memoria afetiva.

  6. Indiana marques

    15/02/2019 em 11:25

    Adorei a crônica tomando coccido e comendo chipa

  7. Ana

    15/02/2019 em 11:32

    Adorei a crônica e ainda mais o título. ❤️💓meu orgulho!

  8. Lucia

    16/02/2019 em 14:14

    Não conheço Chipa, mas essa história me deu curiosidade. Entrei nela com vc. Sinto o povilho!

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