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Sogras, cobras e passarinhos

Em minha opinião, a sogra, como instituição, é supervalorizada.  Vejam a pecha que carregam as pobres mulheres (diferentemente dos homens, os sogros bonzinhos), as inúmeras piadas a seu respeito, a aversão das noras e genros. Na cultura popular moderna, a sogra é vista como um peso a ser carregado e muitas vezes, a palavra acaba por adquirir sentido pejorativo. Por isto ela é personagem de piadas nos bares, em prosa e verso, filmes, novelas e até nos sermões das igrejas. No Youtube tem até padre que dá conselhos risíveis, diga-se de passagem, sobre como lidar com a sogra.

Ela é uma das figuras femininas que mais sofre com piadas, ironias e xingamentos. “Morar com a sogra é fazer vestibular para o céu”. “Sogra boa é aquela que já morreu”. “Deus fez a mãe, mas o diabo criou a sogra”, entre outras tolices. As brincadeiras, aparentemente triviais, demonstram o preconceito cultural que existe, principalmente no Brasil. No Paraná, uma Ong com 40 anos de atuação em defesa dos direitos da mulher e de geração de renda no Estado está, inclusive, criando uma lista de 10 mandamentos para a sogra com intuito de protegê-la de noras e genros sem noção.

No filme, de 2005, intitulado “A Sogra”, que acabo de ver pela enésima vez, uma hilária Jane Fonda (extraordinária, como sempre) está às voltas com a nora que é ninguém mais, ninguém menos. que a exuberante Jennifer Lopez. Em uma das cenas inesquecíveis e mais engraçadas,  Jane Fonda – no papel de uma famosa ex-apresentadora de TV, tem um ataque de pânico ao descobrir que o único filho pretende se casar com uma babá de cachorros.E nada, nem meditação, dry-martines, médicos e toda sorte de terapias conseguem aplacar o desapontamento da sogra.

Mais não conto, que não darei spoiler. Mas o filme, além de hilário, é uma boa reflexão. Sogras não são apenas as mães dos maridos e das esposas. Sogras são mulheres que, na maioria das vezes, sofrem de verdade com a partida do filho (a) mesmo que seja para a quadra mais próxima. Elas podem ser chatas, solitárias, exigentes, muitas vezes invasivas e repetitivas, mas continuam sendo mulheres. Muitas ainda são jovens e cheias de vida, e todas querem apenas um pouco de atenção e reconhecimento. Sogra não é descarte, não é um mal necessário, nem algo a se temer. Tampouco é a víbora do imaginário do escritor Aluísio de Azevedo (Livro de uma Sogra). Ela é apenas um sabiá do campo, como os que fazem ninho nos postes e árvores da cidade, e protege sua ninhada dos perigos externos com unhas e dentes.  E você não vai querer brigar com uma simples passarinha, né? Ela bica.

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Escrito por

Theresa Hilcar é mineira, de Lagoa da Prata e chegou em Campo Grande no início dos anos 1980. Pouco depois iniciou sua carreira jornalista atuando como apresentadora de TV e participou de diversos programas nacionais como convidada. No jornalismo impresso passou pelo Jornal da Cidade, Revista Executivo Plus até chegar ao jornal Correio do Estado (sua melhor escola, como costuma dizer), onde atuava, principalmente. como repórter de cultura. Foi no jornal que se descobriu cronista e passou a publicas suas crônicas todas às terças-feiras, por quase 30 anos. Cursou Letras e Comunicação Social. Tem sete livros publicados e algumas antologias. Aos 61 anos, a jornalista e escritora diz que a coluna da Blink é quase um reinventar-se. Afinal, escrever para um púbico mais jovem será um desafio, confessa. No entanto, espera que seus textos possam conversar com leitores de todas as idades. É cinéfila de carteirinha, apaixonada por literatura se nunca se cansa de viajar. Por países e textos.

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