Um pé de cor ou a Flor do Jasmim

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Gostei tanto de conhecer o Sassá! Menos de dez minutos de conversa e a poesia fez o que sabe fazer: criou silêncios entre cada palavra dita, deixou do lado de fora o que acelera a calmaria e inverteu totalmente nossos mundos tão distantes.

As flores do jardim daquela fazenda foi nosso ponto de encontro. Olhar meio que virado para o céu, ele regava uma arvorezinha linda quando perguntei a espécie, que acreditava ser um jasmim. 

O sorriso de quem sabe o que vai dizer, chegou rápido. Encheu o peito para mandar um Rhododendrum, da família das Ericáceas.  Aqui, o que chegou rápido também foi minha cara de “uau, a resposta é tão linda que parece música”. Sorri. Agradeci. Sentei para contemplar ainda mais aquela figura. Usava chapéu de palha. Era um homem simples. 

Na mesa, junto com almoço chegou também um sussurro: se você quiser, posso te contar. Pode ser uma, ou duas ou três histórias, você escolhe. Era o Sassá. Sentou e contou seus 54 netos, 17 filhos e 52 anos nessa mesma fazenda. Falou de seus tantos casamentos e a teoria de que, quem trabalha, não fica sozinho, nunca. Falou também que é professor de jardinagem, formado pela própria natureza, nas milhares de regadas de todas aquelas flores, a perder de vista. Sassá declamou sua vida em forma de beleza. Disse que tinha guardado mais de cinco mil toneladas de letras em seis mil textos, tudo no papel! Pediu que gravasse seu depoimento com celular, em forma de poesia. Obedeci.

Sassá agradeceu meus ouvidos e se foi. Meu coração floresceu. E isso é maravilhoso. Sempre é. Achar que entende de jasmim pode trazer tanta coisa!