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Um socialista na disputa da presidência dos Estados Unidos?

Os EUA estão prontos para o socialismo? A política exterior deve ser levada em pauta, especialmente quando falamos da grande potência, os Estados Unidos, que mostra uma possível mudança na sua política. O que acontece é que um candidato propõe a supressão das despesas de ensino nas universidades públicas, Bernie Sanders frequentemente assume o papel [...]

Os EUA estão prontos para o socialismo?

A política exterior deve ser levada em pauta, especialmente quando falamos da grande potência, os Estados Unidos, que mostra uma possível mudança na sua política. O que acontece é que um candidato propõe a supressão das despesas de ensino nas universidades públicas, Bernie Sanders frequentemente assume o papel de um leiloeiro às avessas, pedindo ao público, durante seus comícios, para gritar o tamanho da dívida estudantil que eles ainda têm a pagar. Por algum tempo, o recorde era de $300 mil. Mas agora ele conheceu um dentista que se formou com empréstimos de $400 mil.

Este será a pauta do Eita Pêga desta quarta-feira (17). Vamos entender as implicações que isso pode trazer para um país importante como os EUA.

Mas pagar as faculdades através de tributação sobre as especulações de Wall Street não é a única política que torna o senador de Vermont uma ameaça perigosa – inclusive para membros de seu próprio partido. Apesar das limitadas reformas no sistema de saúde passadas por Barack Obama, 29 milhões de americanos continuam sem qualquer cobertura e muitos mais estão subcobertos de tal forma que não podem se dar ao luxo de ver um médico.

Então Sanders faz o mesmo com os planos de saúde, pedindo ao público para competir quanto ao tamanho de sua franquia – o valor fixo por procedimento que deve ser pago pelo paciente antes que sua seguradora contribua com qualquer fração do tratamento. Em quase todos os comícios, alguém chega a $5 mil dólares, muitas vezes em lágrimas.

Seu plano para expandir o Medicare e substituir o atual sistema burocrático e dispendioso é semelhante ao modelo de seguro usado no Canadá, com um “único pagador” (ao invés da prestação direta do Estado, como no caso do Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha). A intenção é reduzir os altos custos cobrados pelos hospitais e empresas farmacêuticas que cobram os pequenos consumidores americanos muitas vezes o equivalente a outros países que se beneficiam do poder de compra em atacado.

Sugestão para leitura:

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No entanto, quando inevitavelmente alguém questiona se os EUA podem mesmo se dar ao luxo de seguir o caminho de outros países ricos que universalizaram a cobertura de saúde e o acesso ao ensino superior, Sanders gosta de lembrá-los dos trilhões de dólares de redistribuição de renda que já foram encaminhados na direção oposta: uma tendência que coloca em queda o salário médio, mas que garante 58% de todos os novos rendimentos indo para o top 1% (desde a crise do Subprime\2007).
Talvez pareça simplista essa noção, proposta por Sanders, de que um corrupto sistema de financiamento de campanha é a única coisa que impede os eleitores de transformarem toda essa realidade. Mas ela está se provando muito popular.

Do início da campanha até a abertura da corrida nas primárias democratas, Sanders fechou a diferença entre ele e Hillary Clinton, de 36% para apenas 2%, de acordo com pesquisa nacional divulgada recentemente.

Embora poucos acreditem que esta sondagem possa ser um indicativo consistente do cenário nacional, a votação no caucus de Iowa resultou em um Sanders apenas 0,3% atrás de Clinton.

Em New Hampshire, na votação para o candidato democrata da terça-feira, Sanders derrotou Hillary com uma margem gigantesca: 60,4% para o socialista e apenas 38% para a ex-secretária de Estado.

Os assessores da candidata já previam a derrota, mas torceram até o final por uma diferença menor do que dois dígitos. 

Algumas pessoas, porém, afirmam que New Hampshire foi seduzida principalmente pela proximidade com Vermont [estado do senador Sanders], um bastião progressista a que os iconoclastas mais libertários se referem com suspeita.

No entanto, por mais que doa a seus apoiadores reconhecer qualquer fragilidade, Sanders está sob crescente pressão de Clinton durante os seus debates. A estratégia de ataque varia. Às vezes, ela argumenta que eles estão girando em falso ao debater quem é o verdadeiro progressista. Outras vezes ela afirma que as propostas do Sanders são irrealistas.

Em privado, a máquina de ataque da Clinton foi mais longe, acusando o candidato de simpatias comunistas. O que serve de prelúdio caso Sanders venha a enfrentar os republicanos, no evento ainda improvável de que ele vença as primárias democratas.

Sanders nunca escondeu o seu passado político e deixou muito pano na manga para os críticos. Mas é a sua firme determinação de não esconder o rótulo de “socialista democrático” que provoca ainda mais confusão.

Em um longo discurso na Universidade de Georgetown, em novembro passado, ele argumentou que sua filosofia política caminha em harmonia com a de Franklin D Roosevelt, que também propôs algo semelhante a uma mistura de obras públicas, auxílio aos pobres e reformas para tirar os EUA da Grande Depressão.

“Eu não sei o que queremos dizer quando dizemos que ele é um socialista, porque na minha concepção Bernie Sanders é um liberal FDR”, concorda Sharon Ranzavage, 69, um advogado de Flemington, Nova Jersey.

“Ele está de volta para o futuro. É por isso que eu estou animado. Eu acho que o Partido Democrata se desviou muito para a direita. Nós temos que voltar ao que somos, o que significa tomar conta uns dos outros. Nós somos um país capitalista, mas é preciso modular os extremos do capitalismo”.

A confusão também decorre do fato de que Sanders usa a frase “socialista democrático”, em parte para enfatizar sua crença de que a mudança deve vir através das urnas, mas também porque, na Europa continental, pelo menos, ele provavelmente seria conhecido como um social-democrata, etiqueta que não se traduz com facilidade para os EUA.

”Democrata”, no jargão dos EUA, é algo que o senador independente de Vermont só se tornou quando decidiu procurar a nomeação presidencial do partido em maio. Qualquer um que usa a palavra “social” na política americana poderia muito bem ir até o final e se dizer “socialista”, antes que outra pessoa o faça.

Num contexto britânico, também seria difícil de categorizar Sanders. Muitas de suas propostas fundamentais – acesso universal aos cuidados de saúde, licença maternidade paga e um salário mínimo mais generoso – são aceitas, pelo menos em princípio, por todos os principais partidos britânicos, inclusive os conservadores, que recentemente defenderam um aumento salário mínimo como peça central do seu orçamento.

Em termos relativos, Sanders representa uma guinada para a esquerda no partido democrata, o que é análogo a recente vitória de Jeremy Corbyn na liderança da campanha trabalhista. Mas em termos de política externa e de comparações absolutas no que se refere a políticas domésticas, ele provavelmente se aproximaria mais das reformas trabalhistas pré-Blairistas dos anos 1980 e 90, como Neil Kinnock ou John Smith.

De volta a Nova Hampshire, nas últimas semanas, um estado de espírito radical é evocado em comícios que pedem uma “revolução política” e entoam Power to the People de John Lennon. Mas quando Sanders ergue seu punho para cima, ele rapidamente volta atrás, para evitar uma imagem muito estridente.

Vamos ter de esperar por vários resultados das primárias para saber se a política americana está pronta para um socialista auto-declarado. A resposta de apoiadores indica que esta é a pergunta errada: ”Eu sinto que finalmente tenho um político que irá corresponder meus sentimentos e esperanças para este país”, diz Haglund.

Os EUA estão prontos para o socialismo? 


Com informações do The Guardian

 

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Escrito por

Jornalista Brasileira. Produtora de conteúdo. pura canceriana. descobrindo maneiras de agradecer, sempre. respirando fundo, de vez em quando. a louca da poesia, dos contos e das letras de músicas. Journalist brazilian w/ italian citizenship - cargocollective.com/giuliasimcsik

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