Conecte com a gente

COLUNISTAS

Uma senhora amiga

A vida muda todos os dias. Na maioria das vezes a gente não percebe. Algumas mudanças são muito, mas muito sutis. A bem da verdade, são quase imperceptíveis. Internamente e externamente tudo muda. E decididamente você não é a mesma pessoa que era ontem. Então é um espanto quando acontece o seguinte fato: uma amiga, muito, mas muito amiga mesmo, que você não vê e não tem notícias há 40 anos de repente entra em contato. Você já tinha até desistido dela. Pensava que a vida era assim mesmo, que as amizades vêm e vão e as pessoas mudam. Acontece sempre.

Mas aquela, aquela não. Aquela era amiga mesmo. Dessas que você não precisa explicar nem justificar nada. Era difícil aceitar que nunca mais. Na última vez que nos vimos foi numa dessas conexões em São Paulo. Eu vindo para Campo Grande e ela voltando para o Paraná, onde morava. Nos encontramos no fraldário do aeroporto. Cada uma com seu bebê, nossos primeiros. Depois mais nada. Eu perguntava por ela e ninguém sabia. Fiz isto tantas vezes que perdi as contas.

Até que um dia, por um desses acasos, vejo o nome dela num grupo de amigas do qual nem faço parte. Pergunto novamente: alguém sabe me dizer onde está a Meire? Me respondem que não é Meire, é Mary. Ia ser mesmo difícil encontrar alguém, cujo nome sempre escrevi errado. Uma delas faz a ponte entre nós e logo recebo a primeira mensagem.

 No início são apenas conversas no whatsup, talvez sondando o terreno para ver no que vai dar. Mas intensa como boa geminiana, ascendente em Aquário e lua em Peixes, mando longos áudios, querendo contar e saber tudo o que aconteceu nos últimos 40 anos de nossas vidas. E trocamos fotos, porque mineiras adoram compartilhar fotos.

Um dia, uma noite para ser mais precisa, combinamos de falar ao telefone. Já estava na hora. A conversa durou duas horas. E isto para quem não gosta de ao telefone é um recorde. Começou com um oi que saudades e terminou com até amanhã.  Foi se tivéssemos nos encontrado um dia antes. Estávamos diferentes, claro, mas ainda éramos as mesmas. Os mesmos pontos de vistas, as mesmas emoções, a mesma verdade, o mesmo amor. Deu vontade de pegar o primeiro voo e ir em busca do abraço que um dia antes imaginei perdido.

Ainda bem que a vida muda todos os dias.

Escrito por

Theresa Hilcar é mineira, de Lagoa da Prata e chegou em Campo Grande no início dos anos 1980. Pouco depois iniciou sua carreira jornalista atuando como apresentadora de TV e participou de diversos programas nacionais como convidada. No jornalismo impresso passou pelo Jornal da Cidade, Revista Executivo Plus até chegar ao jornal Correio do Estado (sua melhor escola, como costuma dizer), onde atuava, principalmente. como repórter de cultura. Foi no jornal que se descobriu cronista e passou a publicas suas crônicas todas às terças-feiras, por quase 30 anos. Cursou Letras e Comunicação Social. Tem sete livros publicados e algumas antologias. Aos 61 anos, a jornalista e escritora diz que a coluna da Blink é quase um reinventar-se. Afinal, escrever para um púbico mais jovem será um desafio, confessa. No entanto, espera que seus textos possam conversar com leitores de todas as idades. É cinéfila de carteirinha, apaixonada por literatura se nunca se cansa de viajar. Por países e textos.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RECOMENDADOS PARA VOCÊ:

PODCAST: #RESOLVIVAÇO O que te deixa chateado?

AO VIVAÇO

Adele vai fazer a gente sofrer de novo!!

ENTRETENIMENTO

A entrega é necessária

COLUNISTAS

PODCAST: Editais de cultura para Campo Grande

CAFÉ COM BLINK