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Varal de poesias

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Ainda há pouco chegou um áudio no meu zap. Era Dona Linda do 203, me chamando pelo nome, falando mansinho, tipo preciso de você. Com essa calma disfarçada, disse que saiu para viajar e achava que tinha jogado por engano, na lixeira do prédio, algumas sacolas com roupas molhadas e especiais, recolhidas com pressa do varal. Desculpas pelo favor estranho, mas será que eu poderia procurar e guardar?

Não resisti imaginar o momento em que uma moradora desce, levanta aquela gaveta verde do container que é gigante, pesada para xuxu, joga sacolas de supermercado, cheia de suas roupas preferidas e vai embora. Quando se dá conta, deve ser duro ter que ligar para o porteiro para pedir uma coisa dessas. A resposta foi em dois áudios. No primeiro ri com vergonha alheia. Claro Dona Linda, sem problemas, num resumo sarcástico de como a senhora é desmiolada.

Como sou baixinho, preciso de um banco para subir, levantar o raio da tampa pesada e fazer um tipo de mergulho no ar, daqueles que as pernas se movimentam, fazendo a âncora para não cair em queda livre, rumo a um mar de sacolas iguais e onde, provavelmente, só ela tenha jogado suas roupas molhadas. Depois de um tanto de suor, encontrei a encomenda. Mandei o segundo áudio:

– Achei! Está aqui comigo já, viu? Fique tranquila, vou guardar e botar para secar. 

Cheguei a mandar em mensagem, só para dar uma torturadinha de quanto segredo descobriria nessas sacolas. Um tubinho preto básico, uma bermuda branca, uma calcinha rajada de vermelho e cinza e um par de meias, estendi tudo no varal da portaria do prédio. Acho que ela não aprendeu que coisa molhada quando guardada pode mofar. Ainda bem que tinha sol.

O bom é que ela faz a confusão e ela mesma resolve. Ou, nesse caso, eu. O motivo não consegui nem ter pista. Será que tinha raiva? Enjoou e se arrependeu? Isso não me cabe julgar já que sou só o porteiro. 

Só sei que Dona Linda anda bem fraca de segredos.

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